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CRÓNICAS E ENTREVISTAS
DEIXEI DE SER “A MÃE”, FUI PROMOVIDA A “SCRUM MASTER”
Publicado em: 28/04/2026
A estratégia defende que em lugar de definirmos uma meta, a equipa passe a ter o tal “Scrum Master”, que ajuda cada elemento a ser mais autónomo e organizado.
Querida Mãe,
Venho informá-la que deixei o meu trabalho convencional como mãe. A minha empresa familiar sofreu uma renovação e temos agora um novo “framework”. Felizmente percebemos o potencial de todos os elementos da equipa e, por isso, ninguém foi dispensado ou substituído. No entanto, houve algumas mudanças de cargos, e tenho o prazer de lhe anunciar que deixei de ser “a mãe”, tendo sido promovida a “Scrum Master”.
Não sabe o que é? Bem, segundo o google, porque obviamente tive que ir ver, é uma forma de gerir equipas e tem origem num passo de rugby chamado “scrum” (não tem tradução para português), em que a equipa trabalha em conjunto para avançar ordenadamente como uma unidade. Aparentemente é muito usado em desenvolvimento de software e em start-ups, baseando-se em três pilares fundamentais — Transparência (toda a gente sabe o que o outro está a fazer), Inspecção (o trabalho é analisado e revisto frequentemente) e Adaptação (ajusta-se ao longo do caminho) —, e parece-me ideal para gerir o dia-a-dia de uma família.
Pense comigo, esta estratégia defende que em lugar de definirmos uma meta (geralmente megalómana), com muito pouco acompanhamento do processo, a equipa passe a ter o tal Scrum Master, que ajuda cada elemento a ser mais autónomo e organizado. Ou seja, identifica e remove bloqueios e incentiva boas práticas. Quer um exemplo? Habitualmente uma mãe tende a planear, comprar e executar todos os passos para garantir que o jantar esteja na mesa, mas já uma Scrum Master irá garantir que a equipa tem acesso às ferramentas necessárias para que um dos membros possa fazer o jantar, enquanto outro põe a mesa, e o terceiro levanta os pratos. Vê? mais eficiência, menos neurónios queimados.
Se estamos tão cansadas de sermos aquelas que carregam o peso mental de planear e executar tudo lá em casa, se nos lamentamos que os maridos/pais acabam por se encostar à nossa omnipotência, talvez tenha chegado a hora de revermos a forma como a nossa equipa funciona, e de deixar os livros de parentalidade, que já cansam, dedicando-nos a estudar manuais de gestão de empresas. Faz todo o sentido, porque a nossa função é verdadeiramente a de CEO´s, mas tem uma outra vantagem — quando lhe perguntarem o que faz na vida, se disser que é uma Scrum Manager em lugar do “Sou mãe a tempo inteiro”, vai ver que impressiona até o jovem empreendedor mais irritante.
***
Querida Scrum Master,
Pertencendo a uma família de jogadores e fanáticos de rugby, confesso que nunca percebi nada do que se passa em campo, mas depois da tua explicação vou fazer uma revisão da matéria. Tenho a certeza de que as avós também podem ambicionar ao posto de Scrum Masters, embora na realidade saber delegar é das tarefas mais difíceis do mundo. Num contexto familiar ou profissional, agarramo-nos à ideia de que estamos demasiado sobrecarregados para ter tempo para parar e ensinar aos outros, que é mais rápido e eficiente sermos nós a cumprir a tarefa, mas suspeito que, na realidade, é uma mistura de desorganização e de medo de nos tornarmos dispensáveis. Quantas vezes continuamos a atar os atacadores aos nossos filhos, com a desculpa de que estamos com pressa, levamos os nossos adolescentes à porta da escola, porque – alegamos — acaba por ser mais simples do que ensiná-los a usar os transportes públicos, para não falar nas armadilhas que mais ou menos inconscientemente deixamos no caminho do pai da criança, para que acabe por recorrer ao nosso conselho. Por isso estuda bem o assunto, e enche-te de paciência, porque estou mesmo decidida a seguir as tuas pisadas.
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